A partida foi difícil, como normalmente as partidas são, mas a chegada correu de forma muito suave, sem problemas. Na imigração foi uma experiência muito diferente da primeira que tive. Uma enorme simpatia, sem tempo de espera, simples e ajudando-me até nas minhas dúvidas além de conselhos. Chegando aos carrosséis para levantar as malas, o estereótipo canadiano confirma-se: quando estava a lutar com os malões (um total de 49 kg de 50 kg possíveis - não, não foi planeado nem pesado antes, mas sim pura sorte!), um indivíduo (como diriam os senhores agentes portugueses) aproximou-se de mim e ajudou-me logo a pô-las num carrinho (ajudou como quem diz, quem fez a força e as carregou foi ele!).
Nas chegadas, pouco depois, surgiu a minha coordenadora que muito gentilmente me foi buscar ao aeroporto. Eu não sabia onde era a casa, nem ela conhecia a rua, mas com a ajuda de um mapa lá fomos dar sem grande esforço (sim, porque apesar de finalmente ter um telemóvel "esperto" eu continuo a ter mais facilidade com o "analógico"). Já na casa esperava-me o meu futuro colega de casa que teve também a oportunidade de carregar meia pessoa por escadas acima. No quarto esperava-me o passe de uma semana que me tinham comprado para poder apanhar logo o autocarro no primeiro dia sem pagar mais. Mais tarde, a sua companheira iria comigo ao supermercado onde o primeiro percalço aconteceria - o meu cartão multibanco não funcionou, o que não foi grave pois tinha levado dinheiro de Lisboa.
No supermercado foi novamente o choque da desorientação perante marcas e produtos diferentes, bem como o drama das embalagens de tipo americano: dois litros de sumo, dois quilos de farinha, coitadinha de mim que não sei o que comprar... Em casa, foi altura de desfazer o intrincado Tetris do dia anterior. Cheguei então à conclusão que trouxe coisas a mais. Desta vez não tinha os doutores a impedir-me de trazer todos os collants ;)
No fim, estava cansada mas tranquila, que tem sido o sentimento predominante. Não tem sido tão simples como neste primeiro dia, ao mergulhar no mundo da burocracia já tive a minha quota parte de paredes, mas é diferente. As pessoas são calmas, os serviços são calmos (demorei um total de meia-hora na segurança social - sim, meia-hora), quando há problemas se não se pode fazer nada espera-se até poder, se pode faz-se e pronto. A barreira da língua por vezes faz-se sentir, mas tenho sido recebida com compreensão e alguma paciência.
Fica aqui uma foto de onde vos escrevo estas palavras. Mais novidades se seguirão, certamente.

Ainda bem que vamos poder saber notícias tuas a partir daqui, Patrícia! Uma excelente ideia... Vamos vir cá muitas e muitas vezes... Uma boa estadia e toda a sorte!!!
ResponderEliminarBoa sorte para esta tua aventura, Patrícia. Gosto do póster do L´Étoile Mistérieuse que é sem dúvida um bom presságio: no livro o que começa por ser anunciado com o apocalipse dá depois origem a uma fabulosa aventura.
ResponderEliminarDesculpem ter demorado a pôr os comentários, já não mexia nisto há muito tempo e nem vi que havia por aprovar :) Obrigada!
ResponderEliminarJoão, por acaso não conheço o livro. A minha coloc (companheira de casa) é que é doida por Tintin e há posters e cartões e calendários por todo o lado! Mas deixaste-me a curiosidade!
Como assim, nunca leste o L'Étoile? Vou mandar-te um exemplar! :D
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